O Mercado Liberto
William Gillis*
Tradução: Bruno Rocha**
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Isso nos move do tempo presente para o campo teorético do “depois da revolução,” onde nós podemos ainda usar exemplos dos dias de hoje (como os direitistas) para dar suporte a nossa teoria, mas não estamos compelidos a implicitamente defender cada uma das atrocidade dos mercados de hoje. É mais fácil selecionar mecânicas isoladas do mercado e fazer distinções. Além disso, eu já mencionei que também faz um chamado implícito para a ação?
*Retirado do livro "Markets not capitalism", primeiro capítulo ("The Freed Market"). Esse artigo utiliza uma linguagem particularmente informal, então ainda mais liberdades foram tomadas na tradução deste texto para que a leitura ficasse natural com todas as gírias e expressões coloquiais presentes no material original.
Vale salientar também que o termo "libertário" foi usada no contexto da política americana ("libertarian") que é um termo guarda-chuva que se refere tanto ao que nós, brasileiros, conhecemos como libertários e liberais. Nesse contexto, libertarian é fortemente associado com políticas de direita, por isso foi usado pejorativamente.
Outra diferença contextual é o que no texto foi traduzido como "direitista". No artigo original, foi usado o termo "red" para se referir aos proponentes do partido republicano dos Estados Unidos, que seriam considerados políticos de direita no Brasil.
Por último, "mercados libertos" em inglês é "freed markets", que tem apenas uma letra de diferença de "free markets", que significa livre mercado. Por isso a constatação que o termo freed markets surgiu a partir de um erro ortográfico.
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Uma das táticas que eu adotei para as disputas sobre economia entre anarquistas é me referir ao nosso sistema econômico misto corporativista/mercantilista/lovecraftiano como “Kapitalismo” e quando me referir a Ancaps fazer questão de usar “Anarco”-Capitalista e Anarco-“Capitalista” como rótulos distintos.
Essas se provaram maneiras decentes se não bem efetivas de mexer com seus pensamentos e forçar um certo nível de nuance na discussão. Mas elas são distinções principalmente direcionadas aos direitistas ignorantes por opção – enquanto certamente irritantes – não chegam nem perto de serem tão abominável quanto os libertários vulgares convictos. Os apologistas do corporativismo que realmente aprovam a fossa moderna que os direitistas chamam de “Capitalismo”. Você sabe de quem são. Os pirralhos do contra que consideram a Somália uma utopia. Aqueles que se encaixam nos estereótipos dos direitistas tão bem que qualquer traço de inteligência é imediatamente sugado por um buraco negro de “pessoas pobres obviamente merecem morrer de fome, eles que lutem” e “ah é, bem, depois da Revolução nos vamos botar sua família em campos de extermínio e expropriar todas suas coisas”.
Bem, por um erro de digitação abençoado eu me dei de cara com uma resposta muito efetiva contra eles. Ao invés de me referir ao comportamento e dinâmicas de um livre mercado, eu me refiro à de um “mercado liberto”.
Você ficaria surpreso com quanta diferença uma mudança de tempo verbal pode fazer. “Livre mercado” faz parecer como se tal coisa já existisse e, portanto, passivamente perpetua o mito direitista que corporativismo e o acúmulo devasso de Kapital são a consequência natural de livre associação e competição entre indivíduos. (Não é.)
Mas “Liberto” passa a impressão de distância e, ainda por cima, um nível de ação. Se torna tão mais fácil afirmar coisas como: Mercados libertos não tem corporações. Um mercado liberto naturalmente iguala riquezas. Hierarquias sociais são, por definição, ineficientes e isso é particularmente evidenciado em mercados libertos.
Isso nos move do tempo presente para o campo teorético do “depois da revolução,” onde nós podemos ainda usar exemplos dos dias de hoje (como os direitistas) para dar suporte a nossa teoria, mas não estamos compelidos a implicitamente defender cada uma das atrocidade dos mercados de hoje. É mais fácil selecionar mecânicas isoladas do mercado e fazer distinções. Além disso, eu já mencionei que também faz um chamado implícito para a ação?
Eu não sei se mais alguém já havia percebido isso antes, mas me tem sido útil e eu senti que deveria compartilhar.

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